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Natureza agoniza em canteiro de obras do Rodoanel

Folha de Embu | Atualizado em: 31/03/2009 00:00:00

A devastação ambiental provocada pelas obras de construção do Trecho Sul do Rodoanel Mário Covas impressiona. A natureza está pagando um alto preço pela obra gigantesca que começa a se erguer em Itapecerica da Serra, nas imediações dos bairros Campestre e Branca Flor. Os danos ao meio ambiente no local são incontestáveis e assustadores. O desmatamento de centenas de árvores, a conseqüente destruição de várias espécies e o assoreamento do leito do rio que passa no local, são os mais visíveis. A promessa do governo Serra de compensar a região pode até ser cumprida, mas, dificilmente, vai conseguir eliminar ou sanar os danos causados ao meio ambiente na região.

Até mesmo os funcionários do canteiro de obras lamentam a destruição da natureza no local. Bastam poucos minutos para se perceber a dimensão do impacto ambiental da obra. Aos poucos, a geografia da região é modificada pela ação das escavadeiras, tratores e caminhões que não param de trafegar de um lado para outro abrindo imensas clareiras onde anteriormente predominava a vegetação nativa.

Na beira do rio, os amontoados de terra são levados para o leito sempre que chove. Em vários pontos o assoreamento é tão intenso que já mudou o curso do formato do leito.

“Esse é um crime irrecuperável”, lamenta o morador da região, Sebastião Santana, 22 anos.

Um funcionário do canteiro de obras gritou para a reportagem da Folha do Embu: “o preço do progresso é alto, né?”. Depois ele emendou: “Já perguntei a um trabalhador como ele se sentia de derrubar tanta árvore. Ele falou que não gosta, mas não tem outro jeito”, revelou.

Outro morador da região filosofou pensativo enquanto observa o leito do rio, onde as bases de sustentação da gigantesca estrutura do Rodoanel estão fincadas. “Uma hora a natureza vai querer de volta o seu espaço”, observou em tom misterioso. “Esse rio está morrendo”, completou.

No canteiro de obras predomina o barulho das máquinas que trabalham intensamente na construção da gigantesca da estrutura do Rodoanel. Elas estão por toda a parte, removendo ou transportando areia. São dezenas de caminhões e tratadores trabalhando numa espécie de sincronia que produz um barulho característico, como de uma banda musical de qualidade duvidosa.

Depois de constatar os danos ambientais no local a reportagem do Folha procurou o Ministério Público em Itapecerica da Serra para tratar do assunto, mas até o fechamento dessa edição não houve resposta.

O secretário Estadual do Meio Ambiente, Francisco Graziano Neto afirma que nenhuma obra de São Paulo está sendo tratada com tanto rigor como o Rodoanel. Segundo ele, na licitação, as empresas contrataram auditoria ambiental para acompanhar os impactos nas cidades. O discurso dele é contrário à realidade encontrada no Canteiro de obras.

“Os impactos são grandes, mas as compensações existem. O Rodoanel vai desmatar 100 hectares e vai replantar 1000”, garante.

Segundo ele, os parques previstos para as cidades, como forma de compensação, já estão com as áreas desapropriadas. Mas, a contabilidade do governo, não leva em conta os números reais dos prejuízos ambientais, sociais e econômicos enfrentados pela região.

Danos provocados pela Construção do Rodoanel são incontáveis

Quem assiste as propagandas que o governo do Estado faz do Rodoanel certamente não imagina empresas enfrentando prejuízos incontáveis, pessoas sendo demitidas, postos de trabalho fechados e a população sendo obrigada a conviver com lama, ruas esburacadas e poeira. Os problemas citados estão fora da propaganda oficial, mas são parte da realidade enfrentada pela cidade de Embu das Artes, graças as obras do Trecho Sul do Rodoanel Mário Covas.

A Aba Motors foi obrigada a demitir vários funcionários depois de sofrer uma enchente provocada pelo assoaremento dos leitos próximos a obra do Rodoanel. O evento foi traumático e causou prejuízos incontáveis. Até agora a empresa tenta se refazer dos transtornos, evita falar do assunto e planeja ingressar com uma ação contra a Dersa. Para a Aba, o efeito das obras do Rodoanel prejudicou mais as vendas do que a crise financeira. Para as empresas pequenas da região o efeito negativo é ainda pior, já que elas não têm a mesma estrutura da Aba.

Os moradores dos Jardins Santa Rita, Ferreira e Mabília foram forçados a conviver com as enchentes na intersecção do Parque Industrial com a Avenida Hélio Ossamu Daikuara. Outros bairros também foram atingidos, como nunca havia acontecido antes. Sem alternativa, os moradores procuraram diversas vezes a Câmara Municipal e a prefeitura em busca de ajuda para os problemas imediatos.

Outro fator que o governo estadual não leva em conta, mas que é primordial é o aumento da utilização dos recursos dos cofres municipais com ações de saúde para evitar uma onda de doenças após a ocorrência das enchentes.

Apesar dos transtornos enfrentados pelas cidades de Embu das Artes e Itapecerica da Serra em função das obras do Trecho Sul do Rodoanel Mário Covas, especialmente em relação aos impactos ambiental, econômico, social e de infraestrutura, o governo do Estado tenta minimizar os problemas. O impacto ambiental é admitido, mas, acaba sendo desconsiderado pela promessa das obras de compensação. Enquanto isso, as cidades enfrentam leitos assoreados, enchentes, vias esburacadas, aumento do custo de financiamento de serviços essenciais alavancado pela explosão da demanda população.

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