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Violência em São Paulo matou mais em 10 anos do que bomba atômica em Nagasaki

Folha de Embu | Atualizado em: 20/05/2009 00:00:00

Somente nos últimos 10 anos de governo do PSDB em São Paulo, 145.059 pessoas foram assassinadas no Estado. O número é tão alto que supera a quantidade de mortos em algumas guerras recentes. É como se quase toda a população de Itapecerica da Serra, que segundo o IBGE tem 148.728 habitantes tivesse sido assassinada. O relatório da Secretaria de Segurança Pública aponta que 91.898 pessoas foram vítimas de homicídios dolosos, em todo o Estado de São Paulo, nos anos de 1999 e 2008. No mesmo período, 49.378 pessoas morreram em conseqüência de homicídios e lesões corporais culposos, outras 4.314 pessoas foram vítimas de latrocínio, roubo seguido de morte.

As estatísticas da violência no Estado de São Paulo são assustadoras. Os números oficiais da quantidade de mortes impressionam. Em dez anos, morreram mais pessoas em São Paulo do que durante a explosão da bomba atômica de Nagasaki, em 9 de agosto de 1945, três dias depois de os Estados Unidos lançarem a primeira bomba atômica sobre Hiroshima. O número de vítimas do ataque a Nagasaki chega a 143.124 pessoas. Já o número de mortes violentas nos últimos 10 anos em São Paulo é de 145.059. Ou seja, é como se uma bomba atômica tivesse sido jogada no Estado.

O numero de mortes, já assustador, seria ainda maior se incluísse as vítimas que morreram em conseqüência de lesões corporais e dos confrontos entre policiais, criminosos ou suspeitos de crimes. É o que dizem os representantes de organizações em prol dos direitos humanos, que realizaram no dia 12 de maio, em São Paulo, um ato público para discutir a apuração da morte de 493 pessoas durante a onda de violência que atingiu o Estado em 2006, quando membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) iniciaram uma onda de ataques contra as forças policiais em São Paulo. Os ataques espalharam pânico entre a população e no dia 15 a cidade de São Paulo parou por causa do medo.

Segundo as entidades, no período dos ataques, de 12 a 20 de maio, São Paulo registrou 493 mortes causadas por armas de fogo tanto de civis como de policiais. Conforme nota do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo(Cremesp), um dos organizadores da mobilização, o ato público teve como meta estabelecer "quantos inquéritos foram concluídos" e "quantas pessoas foram indiciadas" por conta dos assassinatos.

Levantamento feito pelas entidades, com base nos documentos da Ouvidoria da Polícia, órgão com função de fiscalizar as polícias Militar e Civil, revela que aconteceram 102 casos em que policiais foram suspeitos de matar 170 pessoas. Desse total de mortos, 89 foram vítimas de 54 atentados com "características de execução" (sem chance de defesa para a vítima). Dos 54 casos, 33 já estão arquivados e 16 continuam em andamento.

"É mais uma história de impunidade, bastante parecida com a que vivemos na ditadura. Naquele período, São Paulo enfrentou números de guerra e, até hoje, não temos respostas para aquelas mortes", disse Rose Nogueira, do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) a reportagem da Folha on line.

Segundo consta na reportagem, um dos casos classificados como exemplo de impunidade será apresentado pela ONG Conectas: em 14 de maio, cinco jovens foram mortos no Parque Bristol (zona sul). O crime foi investigado como cometido por PMs, já que, segundo testemunhas, as vítimas vinham sendo ameaçadas por policiais. O caso acabou arquivado.

Uma das principais reivindicações é a unificação e a divulgação, pela Secretaria da Segurança, dos resultados das investigações dos 493 assassinatos (incluídos os 170 acompanhados pela Ouvidoria) no Estado durante os ataques naquele período. Nesse total estão casos como brigas de vizinhos.

"O fato de a Secretaria da Segurança Pública não divulgar um relatório único sobre as mortes ocorridas em maio de 2006 demonstra uma decisão política", disse Antonio Funari Filho, ouvidor da polícia de SP.

Além do Cremesp, participaram do evento representantes do Ministério Público Federal, da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, da Ouvidoria da Polícia, da Pastoral Carcerária e do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe).

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